The Revenge: A Visit from Fate

The Revenge: A Visit from Fate ★★★★

"I burned everything, but I didn't get rid of the gun"

A vingança como uma força imparável que zumbifica e assombra. O filme se localiza no típico espaço da cidade do cinema de Kiyoshi Kurosawa, esse lugar cinza, cheio de metal e cimento, prestes a virar ruína, prestes a se tornar desabitado, o ambiente de trabalho nessa textura kafkiana de um labirinto burocrático e urbano que se repete e se expande em terrenos baldios, armazéns enferrujados, fábricas abandonadas. As cenas de morte são secas como boa parte dos cortes (a força sugestiva dos cortes, como em todo o cinema do diretor, está aqui de maneira potente) - o ímpeto da vingança não é uma força corporal libertadora e passional, mas uma desumanização medida, controlada, estéril e estática. A construção da atmosfera se transforma gradativamente na de um filme de horror, e a cena final é das melhores e mais desoladoras e ermas de toda a carreira de Kurosawa: a família enquanto instituição do mundo contemporâneo é apenas causa para morrer e matar e consequência para viver irremediavelmente sozinho, tendo como companheiros apenas a violência e o presente indiferente.