Rebel Without a Cause

Rebel Without a Cause

E, além disso, nenhum diretor sabe imprimir em seu personagem um ar familiar tão evidente. Eles são marcados pelo carimbo da mesma fatalidade, do mesmo mal moral ou físico – o que não é exatamente defeito ou decadência. Observem os rostos femininos de bochechas macias, mas de pálpebras delimitadas, de lábios grossos, essas silhuetas de homens atléticos, os Ryan, os Derek, os Mitchum, esmagados ou, melhor, como que recolhidos em si mesmos. James Dean leva ainda mais longe essa aparência, crisálida mal derivada de seu casulo. Retraimento sobre si? Solidão antes sofrida do que desejada, busca angustiada por afeição, amor ou amizade. Eu falava há um instante de um desenvolvimento linear: não se trata de uma dessas belas retas com que Hawks está acostumado, essa estrada larga da epopeia, esses passos calmos, esses pórticos altivos. Aqui tudo é circular, dos gestos de amor ao trajeto das estrelas, desses olhares que envolvem, mais do que fogem, a essas perseguições errantes, essas mortes que fecham o círculo e devolvem os heróis à sua inocência primeira. Sim, é isto: o que falta a esses homens-crianças é essa espécie de virgindade com que os contadores de aventura costumam ornar seus personagens. Eles não possuem a complacência resignada nem a vontade de abjeção do homem do romance moderno. Eles não são nem mesmo culpados...

Ajax ou O Cid? por Éric Rohmer

vestidosemcostura.blogspot.com/2021/06/ajax-ou-o-cid.html?m=1

(publicado originalmente na revista Cahiers du Cinéma nº 59, maio de 1956)