The Night I Swam

The Night I Swam ★★★½

O filme não tem diálogos, mas não quer dizer que ele se força a isso, é algo natural ao acompanhar a trajetória do menino pela ruas de uma cidade japonesa num dia de neve. E também estamos no Japão, onde a falta de diálogos é bem mais compreensível do que em outro lugar.

Os diretores (um francês, o outro japonês) tentam emular Kiarostami e Ozu, nos planos fixos, na duração das tomadas (mas nunca indo além, como Kiarostami desafiou em alguns filmes), no retrato de uma sociedade através de pequenas atitudes, na questão da família, no uso de sons ambientes e música. Não tem o lado lúdico de um O Balão Vermelho, por exemplo, mas claramente é uma das inspirações do filme também.

A não interação social fica evidente, somente um cachorro vai interagir com o menino. No trem, na hora de pegar a bebida, no shopping, existe uma noção de não interferir na individualidade, mesmo que de um garoto de 6 anos. A presença humana só serve como invasão de privacidade como quando o garoto quer mijar e um homem o atrapalha. Ou no final quando ao mesmo tempo que há interação não há de fato, pois o menino nem acorda com tudo o que ocorre.

E é o final, como um ciclo, que evidencia a distância entre pai e filho. Nos horários e no desenho. Mas o plano final, quem sabe, dá esperanças que algum dia isso possa mudar. Ou não.

P. S. - atenção ao título do filme, simboliza algo do garoto.