Carandiru

Carandiru ★★★★½

É comum no Brasil ouvir gente que se diz de bem vociferar que "bandido bom é bandido morto", que criminoso não é humano, como se, quando alguém cometesse um crime, tivesse revogada sua carteirinha de homo sapiens. Essas pessoas eu vi hoje mesmo, assim que acabei de assistir Carandiru, na seção de comentários de um link do filme no Youtube. Elas, ou talvez seus pais ou avós, estavam lá no dia do massacre que inspirou o filme, bradando em frente a suas TVs, comemorando a matança.

Essas pessoas estavam lá, comemorando no dia da chacina da Candelária, ou no encerramento do caso do ônibus 174, e também, quando vieram a público, os horrores dos porões da ditadura militar.

Carandiru é sobre esse ranço que, me arrisco a dizer, permeia toda a história do Brasil. Foi esse sentimento que criou e vem permitindo os inúmeros banhos de sangue sobre os quais a nação foi fundada.

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Esse filme transita com maestria pela história de alguns dos mais de sete mil presidiários da instituição. A direção de arte cria interiores únicos para determinadas celas e ressalta a podridão de tudo lá dentro. A fotografia enfatiza a miudeza dos homens naquele ambiente, enquadrando-os pelas janelas das portas das celas ou envoltos por uma escuridão quase absoluta. Tem atuações memoráveis de todo o elenco principal. Até me assustei de ver tanto ator conhecido, muitos dos quais estouraram depois desse filme.