Watch Out, Madame

Watch Out, Madame ★★★★★

“Quem se entregar agora, morre depois. Cuidado, madame”.

Realizações de catarses sem cair no obvio. Sobre se revoltar e sambar na cara dos opressores. A luta de classes em imagem e movimento. Morte aos ricos. Aos burgueses. Aos patrões. Esses malditos. A revolta gigante da classe trabalhadora, que se une e a injustiça da estrutura social por onde andamos em cenas da rua como ela é sem filtros encontram som e cara no cinema experimental ao seguir essa série de imagens e registros de empregadas matando suas patroas. Encontram força no desejo interminável e recorrente de Júlio Bressane por sangue, por morte, pelo mórbido, pelo crime e pelo ato de matar. Esse vigor caótico dele é sobrenatural. Hilário, hipnótico e assustador. É entrega total. O Brasil, a tal “terra abençoada”, não o merece e não tem dimensão do seu tamanho. Eu amo muito ele.

Maria Gladys não presentou ao mundo apenas da sua neta, a querida Mia Goth, que encanta os cinéfilos atualmente. Ela presentou o mundo do seu talento imenso e da sua entrega total. Atriz das maiores. E Ignez quando aparece também tão gênia quanto.

“Eu vim de um lugar, madame, onde gente morre de fome”.

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