The Great Beauty ★★★★★

A belíssima cidade de Roma serviu não apenas como locação, mas teve um papel de protagonista em grandes filmes, como Roma, cidade aberta(Roberto Rosselini, 1945) e A doce vida (Federico Fellini, 1960). E não é diferente com o filme de Paolo Sorrentino. Nos três filmes, o momento histórico é bem diverso: a Roma da ocupação nazista; a Roma da reestruturação no pós-guerra; e a atual Roma da era Berlusconi. No entanto, as três Romas possuem algo semelhante, que talvez não tenha mudado.Roma é uma cidade da opulência, da grandiosidade, das grandes conquistas, porém é também uma cidade da decadência, da derrota e da desumanidade.
Com essa introdução da cidade de Roma, podemos ter uma ideia do que está em jogo no filme de Sorrentino. A cidade Romana nunca perdeu sua grande beleza, mas ao mesmo tempo pode oprimir as almas mais frágeis. Ela possui um ambiente rico em ostentação, poder, grandiloquência, e seus moradores não conseguem ficar indiferentes a isso.
Jep Gambardella (Toni Servillo), protagonista do filme, é um desses moradores de Roma. Sua morada fica numa cobertura de frente ao Coliseu, ele deita na sua rede com um copo de whisky enquanto admira uma das maiores obras da arquitetura italiana. Ele é um jornalista escritor, que escreveu uma obra amada e odiada há muito tempo atrás. Seu objetivo desde então foi observar e viver com a alta casta da sociedade romana. Ele é simultaneamente um membro e um outsider da classe A. Ele se diverte e rejeita os integrantes desse mundo “mundano”.
No entanto, as coisas começam a mudar para Jep depois de descobrir que uma antiga amante havia falecido. Talvez porque ela lhe lembrasse de um tempo em que ele tinha inspiração e vivia feliz. As lembranças lhe trouxeram uma vontade de buscar algo que ele havia perdido, a grande beleza da vida.
Sorrentino mescla brilhantemente dinamismo com reflexão, e o resultado é uma obra prima. Os personagens excêntricos, a arquitetura magnânima de Roma, os travelings e panorâmicas belíssimos, a fotografia estupenda, o ecletismo musical, o humor sagaz ácido, as reflexões filosóficas, a crítica político-social, são alguns dos elementos que fazem de A grande beleza o melhor filme de 2013, na minha visão.
Ao assistirmos tamanha obra ficamos como o turista que visitava Roma, do início do filme. A beleza que ele experimentou era tão grande, que acabou tendo um ataque cardíaco. Um caso raro de síndrome de Stendhal, como é o que pode acontecer com aquele que experienciar A grande beleza.