Pacific

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A consciência em férias

A simpaticíssima Sessão Vitrine está de volta com um dos filmes brasileiros mais comentados das recentes safras. Pacific é fruto da novíssima onda pernambucana, celeiro de fortes personalidades autorais como Kleber Mendonça Filho (não tão novo assim), Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso. Eles sucedem a geração de Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Marcelo Gomes, Claudio Assis e Hilton Lacerda.

Mas Pacific é um filme especial, mesmo dentro desse grupo especial. A começar pelo fato de que não foi rodado por quem assina o filme. À exceção dos letreiros iniciais que explicam a proposta, tudo o que vemos foi filmado por turistas a bordo de cruzeiros para Fernando de Noronha. A equipe se limitava a observar os grupos e famílias que se registravam durante os seis dias de viagem. Ao final, pedia autorização para usar cópias do material num documentário. O filme monta cenas de quatro cruzeiros de maneira a criar a continuidade de uma única viagem.

O contexto é, certamente, de deslumbramento pequeno-burguês. O material, por natureza ingênuo e lúdico, cria um distanciamento característico. É a consciência em férias. Uma sensação catártica perpassa as falas fascinadas pelas atrações do navio, as “bocas livres”, a expectativa da chegada ao tão sonhado “paraíso” de Noronha. As imagens oscilantes, estouradas, erráticas são expressões mais de uma exaltação pessoal que de um desejo de mostrar ou informar. É pura celebração em miniDV.

Leia a crítica de Carlos Alberto Mattos